
A democracia demanda o respeito ao estado de direito, o que pressupõe a confiança e a legitimidade das instituições e poderes de Estado, entre elas as polícias. Não há democracia sem a segurança dos direitos da cidadania, o que, desde princípios da modernidade, reclama a intervenção das polícias.
Por isso, chamaram atenção as ameaças criminosas dirigidas à comunidade escolar da rede Marista de ensino na Capital do Estado no dia 27 último, impactando a rotina de escolas públicas e, especialmente, privadas, as quais se dirigiam as ameaças, nos dias 28 e 29 de março, quando esses fatos já estavam fartamente disseminados nas mídias tradicionais. A difusão generalizada de ameaças virtuais de atentados contra escolas privadas dessa rede provocou enorme pânico social, já que esse triste episódio se segue à tragédia da Escola Estadual Raul Brasil na cidade de Suzano, em São Paulo. Felizmente, houve imediata reação das autoridades públicas constituídas, a exemplo da administração escolar e da Secretaria Estadual da Segurança Pública do Rio Grande do Sul.
Como destacou a Associação Mães e Pais pela Democracia (AMPD), coletivo que reúne mães e pais de cerca de 50 escolas públicas e privadas gaúchas em prol de uma "escola sem mordaça" e de uma educação com amor e liberdade, a presença de policiais armados no entorno das escolas é resposta ao crime de terrorismo praticado e que claramente foi acirrado pelos discursos de ódio e de intolerância que tomaram conta da nossa realidade brasileira, em tempos em que o real se confunde com o imaginário (e vice-versa).
Por outro lado, como enfatiza a AMPD, a presença das forças policiais em ambiente escolar não afasta o repudio não só ao fato criminoso gerador dessa excepcional medida, como também ao triste momento político e social por que passa o país, tornando imperiosa a assistência de policiais fortemente armados em um espaço onde os instrumentos deveriam se limitar aos livros e ao conhecimento. Há que se louvar, pois, o tipo de policiamento adotado na última sexta-feira, 29 de março, em que as polícias estiveram presentes no entorno das escolas sem a exposição de armas, fortalecendo, ao mesmo tempo, a inteligência policial e a capacidade de investigação criminal, o que produziu maior sensação de segurança, cuidado e proteção.
As soluções para esse novo tipo de medo que bate à porta da escola, por óbvio, implicam ações de controle e repressão qualificada da criminalidade combinadas com políticas públicas de prevenção social das violências, nos meios "on" e "off ". Isso porque não haverá direito à segurança sem a segurança do direito à educação.